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RSI: a IA ajudando a melhorar a IA, e como usar a ideia na sua empresa

RSI: a IA melhorando a IA. Curadoria de IA KITEBIZ

No mundo da IA, todos estão falando de RSI. Os títulos dizem que a OpenAI tem RSI, que o DeepSeek tem RSI, que o Google tem RSI. Parece um produto novo que algumas empresas lançaram. Não é. Este material explica o que RSI significa, o que de fato aconteceu em setembro de 2026 e, principalmente, como a ideia por trás dela funciona dentro de uma empresa comum.

O vídeo da Curadoria de IA KITEBIZ que deu origem a este material (1 min 37 s).

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1. O que é RSI, em um minuto

RSI é a sigla em inglês para recursive self-improvement, ou autoaperfeiçoamento recursivo. Em palavras simples: é a IA ajudando a melhorar a própria IA. Um sistema ajuda a construir uma versão melhor de si mesmo, e essa versão fica ainda melhor em construir a seguinte.

A ideia não é nova. Ela aparece em 1965, com o matemático I. J. Good e a sua "explosão de inteligência". A novidade de 2026 é que pedaços desse ciclo saíram do papel. Para entender o que é real e o que é exagero, ajuda separar três níveis:

  • RSI fraca, que já existe: a IA acelera partes do trabalho (escreve código, roda experimentos, prepara dados) e as pessoas comandam.
  • RSI média, que está começando: a IA conduz pesquisas de várias etapas, propõe, testa e decide continuar ou parar, e as pessoas escolhem o que vale testar.
  • RSI forte, que não existe: o sistema faz o ciclo inteiro sozinho, da ideia ao treino do sucessor, sem ninguém no meio.

2. O que aconteceu em setembro de 2026

Duas publicações dos próprios laboratórios mostram onde estamos. Conferimos as duas no original.

A Anthropic, no texto "When AI builds itself", afirma que desde maio de 2026 mais de 80% do código incorporado ao seu sistema foi escrito pela própria IA. No mesmo texto, deixa claro quem ainda manda: as pessoas escolheram o problema e criaram o critério de avaliação. E conclui que o autoaperfeiçoamento recursivo não chegou e não é inevitável.

A OpenAI publicou em 21 de setembro de 2026 a proposta "Criando padrões para a próxima fase da IA". A frase central está na versão oficial em português:

"A RSI totalmente autônoma não acontece atualmente, e não devemos buscá-la a menos que e até que possa ser realizada com segurança."

No mesmo documento, a empresa fala em "manter as pessoas no ciclo de autoaperfeiçoamento". Ou seja: hoje, em todos os casos sérios, sempre tem gente no ciclo.

3. A ideia por trás, que qualquer empresa pode usar

Fora dos laboratórios, RSI quase nunca é um modelo reescrevendo a si mesmo. O que serve para uma empresa é o princípio: cada erro vira a próxima melhoria, e alguém decide o que fica. Um processo com IA que funciona assim aprende com o próprio trabalho, em vez de repetir os mesmos erros todo dia.

Aqui na KITEBIZ, usamos esse ciclo todos os dias: cada erro dos nossos agentes vira uma proposta de regra, a regra nova é testada, e só entra depois de uma pessoa aprovar.

4. O ciclo aplicado a um atendente de IA, passo a passo

O exemplo mais fácil de visualizar é um atendente de IA que conversa com clientes. O ciclo tem seis passos:

Passo 1. Ele atende, e cada conversa ganha uma nota do cliente

O atendente trabalha normalmente. Ao fim de cada conversa, o cliente dá uma nota. Sem essa medida não existe ciclo: é ela que diz se a próxima versão é melhor ou pior.

Passo 2. Uma IA lê as notas ruins e acha o padrão

Em vez de uma pessoa ler centenas de conversas, uma IA separa as de nota baixa e procura o que elas têm em comum. Por exemplo: os clientes perguntavam do prazo de entrega, e o atendente não sabia responder.

Passo 3. Ela propõe uma mudança na instrução do atendente

A melhoria não é corrigir uma resposta. É mudar a instrução que guia todas as respostas daí em diante. No exemplo: "informe o prazo de entrega".

Passo 4. A versão nova atende ao lado da antiga, e as duas são comparadas

A instrução nova não substitui a antiga de uma vez. Uma parte das conversas vai para a versão nova, outra parte fica com a atual, e as notas das duas são comparadas.

Passo 5. Você olha o resultado e aprova

Este é o passo que não pode faltar. A IA prepara a comparação; uma pessoa decide se a versão nova entra. Sem você, nada muda.

Passo 6. A melhor entra no ar, com o botão de voltar

A versão aprovada passa a atender todo mundo, mas a anterior fica guardada. Se algo der errado, volta-se atrás em um clique. Depois o ciclo recomeça, com o próximo padrão de erro.

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Um caso real: Nubank

O Nubank publicou em junho de 2026 um estudo sobre como construiu atendentes de IA para mais de 100 milhões de clientes, com iteração das instruções acompanhada por pessoas. No atendimento de entrega de cartão, um teste A/B em larga escala mostrou ganho de 37 pontos percentuais no NPS das conversas com a IA.

5. O que a empresa precisa ter antes de ligar o ciclo

  1. Um processo com resultado verificável. Atendimento, triagem de chamados, qualificação de contatos. O ciclo anda rápido onde dá para conferir se melhorou.
  2. Um gabarito de 20 a 100 casos reais com a resposta certa, montado por quem conhece o negócio. É o ativo mais valioso do ciclo.
  3. Uma métrica principal e métricas de proteção. Por exemplo: nota do cliente, mais o cliente que volta a chamar e o desempenho nos casos difíceis. Melhorar a média piorando os casos difíceis é o erro clássico.
  4. Registro do que o agente fez, não só do que ele entregou. Sem isso não há como auditar.
  5. Limites claros: o que o agente pode fazer sozinho, com que acesso e com que orçamento.
  6. Um diário de experimentos: o que foi tentado, o resultado, o custo e a decisão. É o que faz o próximo ciclo começar mais inteligente.

6. O risco que ninguém pode pular

Em 2025, a Sakana AI apresentou a Darwin Gödel Machine, um agente que melhorava o próprio código e foi de 20% para 50% de acerto num teste de programação. Mas os pesquisadores também registraram o lado ruim: em alguns casos, o agente criou um registro falso que fazia parecer que ele tinha rodado os testes e que todos tinham passado.

É o mesmo risco, em escala menor, de qualquer empresa: um agente otimizado para a métrica errada aprende o atalho errado. Por isso o passo 5 (a aprovação de uma pessoa) e as métricas de proteção existem.

Dez perguntas para quem promete "RSI" na sua empresa

  1. Qual processo vai melhorar, e qual é o resultado esperado em uma frase?
  2. Qual é a métrica principal, e quais são as métricas de proteção?
  3. De onde vem a nota de cada execução?
  4. Existe um gabarito de casos reais? Quem montou?
  5. A versão nova é testada ao lado da atual antes de entrar?
  6. Quem aprova a mudança, e onde essa aprovação fica registrada?
  7. Como se volta para a versão anterior, e em quanto tempo?
  8. O que o agente pode fazer sozinho, e o que nunca pode?
  9. Como se detecta um agente que "finge" o resultado?
  10. Onde fica o histórico de tudo o que foi tentado?

7. Como começar esta semana

  1. Escolha um processo repetitivo, com volume e resultado que dá para conferir. Escreva em uma frase o que é "bem feito" e o que o agente nunca pode fazer.
  2. Defina a métrica antes de ligar qualquer agente: uma principal e duas de proteção.
  3. Monte o gabarito com o time: de 20 a 100 casos reais com a resposta certa.
  4. Rode em paralelo e revise toda semana: o agente trabalha com aprovação humana, e as falhas da semana alimentam o gabarito e as instruções.
  5. Aumente a autonomia por etapas, só quando a métrica estiver estável por semanas.

A IA não se melhora sozinha. Ela aprende com o trabalho, e quem decide o que fica é você.

Fontes

  • OpenAI, "Criando padrões para a próxima fase da IA", 21/09/2026. openai.com
  • Anthropic Institute, "When AI builds itself", setembro de 2026. anthropic.com
  • "Building Customer Support AI Agents at 100M-User Scale: An Evaluation-Driven Framework" (Nubank), arXiv 2606.08867, junho de 2026. arxiv.org
  • Sakana AI, "The Darwin Gödel Machine", 30/05/2025. sakana.ai

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